PRIORIDADE

Não existem prioridades, mas Prioridade. Esta é uma verdade porque foi o Senhor Jesus mesmo quem disse: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça e as demais coisas serão acrescentadas” (Mt 6.33). Jesus quis nos ensinar que a nossa Prioridade é o Senhor. Se falarmos ‘prioridades’, O colocaremos na mesma nível das nossas opções. Então, prioridades não existem.  O Senhor não admite a divisão da Sua glória. Não permite que Ele fique no mesmo patamar das nossas preferências. Ele quer ser amado de todo o nosso coração, toda a nossa alma, com todas as nossas forças e com todo o nosso entendimento (Mt 22.37,38). Ele é preexistente. É bom afirmar sempre: Ele é a nossa Prioridade.

A definição de prioridade nos leva a entendimento o lugar do Senhor em nós. Ele não é o primeiro, mas o único. Vejamos o conceito de prioridade: “Primado, principalidade, antecedência, antecipação, primazia, pródomo, anterioridade, precedência, preexistência, precessão, precursor” (Azevedo, Francisco F. S. Dicionário Analógico da Língua Portuguesa). O Senhor é muito claro em Isaias 43.10: “Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e o meu servo, a quem escolhi, para que o saibais, creiais em mim e entendais que eu sou o mesmo. Antes de mim nenhum Deus se formou, e nenhum haverá depois de mim”.                   O substantivo prioridade deve ser usado somente para o Senhor. Como a nossa prioridade, Ele é a base de todas as nossas escolhas, decisões e dedicação. Na verdade, Ele é vital. Quando Ele determina: “Sede santos porque eu sou Santo” (Lv 19.2), Ele está dando uma ordem chamada Prioridade. Quando o mesmo Senhor se revela a Moisés dizendo: “Eu sou o que sou” (Ex 3.14), Ele está declarando a Sua primazia na vida Moisés e do povo de Israel.

O apóstolo Paulo nos ensina que devemos oferecer ao Senhor um ‘culto racional, lógico, coerente’ (Rm 12.1). Isto vale dizer que deve haver sempre uma coerência entre o nosso crer, sentir, falar, ouvir e agir dentro da perspectiva da Prioridade ou da Sua preexistência. Se Deus não é a minha precedência tudo o mais será. Quando dizimamos, ofertamos e investimos na obra de missões com todas as suas implicações, a nossa motivação é a prioridade. Deus é a nossa prioridade única, absoluta, incomparável e insubstituível sempre em Cristo pela manifestação do Espírito Santo. Sendo o Precursor, Ele recebe dos vinte e quatro anciãos prostrados, diante do Seu trono a adoração: “Nosso Senhor e nosso Deus, tu és digno de receber a glória, a honra e o poder, porque tu criaste todas as coisas e, por tua vontade, elas existiram e foram criadas” (Ap 4.11).

Quando cremos que Deus é Prioridade temos prazer na intimidade com Ele; sentimos alegria em ser Seus imitadores como filhos amados (Ef 5.1,2); temos profunda tristeza ao errarmos; nos arrependemos como nos ensina a Palavra; desejamos ardentemente ser santos como Ele o é;  somos quebrantados por Sua Lei; temos prazer nesta lei e meditamos nela dia e noite (Sl 1.1-3); testemunhamos o evangelho de Cristo Jesus; vivemos de modo sincero, íntegro e profundamente cônscios das nossas limitações; vivemos uma vida de contentamento, repartindo com os que mais necessitam; gozo em investirmos  no Reino de Deus, na sua expansão; amamos a Sua Igreja e aguardamos com confiança a volta do Seu Filho amado.

Sendo o Senhor a nossa Prioridade, devemos ter sempre zelo por Ele. O Dr. John I. Packer faz uma citação de J. C. Ryle sobre zelo.

“Zelo em religião é o desejo ardente de agradar a Deus, realizar a Sua vontade e propagar a Sua glória no mundo de todos os modos possíveis. É um desejo que nenhum homem sente naturalmente – o qual é colocado pelo Espírito no coração de cada crente quando se converte, mas que alguns sentem com muito maior intensidade que outros, por isso só eles merecem ser chamados de ‘zelosos’.
Um homem zeloso em religião é acima de tudo um homem de uma só coisa. Não é bastante dizer que ele é fervoroso, sincero, inflexível, enérgico, cordial, fervente em espirito, ele apenas vê uma coisa, preocupa-se com uma só coisa, vive por uma só coisa, é absorvido por ela, e esta coisa é agradar a Deus. Quer viva ou morra, quer tenha saúde ou doença, quer seja rico ou pobre, agrade aos homens ou os ofenda, seja sábio ou ignorante, seja culpado ou elogiado, seja honrado ou envergonhado, nada disso interessa a este homem zeloso. Ele se inflama por um só coisa e essa é agradar a Deus, e fazer crescer a Sua glória. E se for consumido nessa chama, não importa, está contente. Sente que, como lâmpada, foi feita para queimar; e se for consumido ao se queimar, nada faz além da obra que lhe foi destinada por Deus” (Practical Religion, 1959, pg. 130).

É assim o homem que tem o Senhor como Prioridade. Não há outras prioridades, mas o Senhor como a prioridade, primazia. Ao falar através de Moisés ao Seu povo, o Senhor revela a Sua principalidade: “E te alimentou no deserto com o maná, que teus pais não conheciam, a fim de te humilhar e te provar, para mais tarde te fazer bem. Portanto, não digas no teu coração: A minha força e a fortaleza da minha mão adquiriram para mim estas riquezas. Pelo contrário, tu te lembrarás do Senhor, teu Deus, porque Ele é quem te dá força para adquirires riquezas, a fim confirmar sua aliança, que jurou a teus pais, como acontece hoje” (Dt 8.16-18). Que vejamos o Senhor como o nosso Primado. Como o único que serve de modelo, referencia para todos os que creem. Que o Senhor seja sempre a nossa primazia para a Glória dEle mesmo.

Fonte:  Oswaldo Jacob
Prazer da Palavra 

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A DEPRESSÃO NO CRISTÃO

“A ESPERANÇA ADIADA DESFALECE O CORAÇÃO, MAS O DESEJO ATENDIDO É ÁRVORE DE VIDA.” PROVÉRBIOS 13:12

A Depressão no Cristão

“A esperança adiada desfalece o coração, mas o desejo atendido é árvore de vida.”

Provérbios 13:12

Pastor Calvin Gardner

Tenho notado que a depressão vem quando a esperança é adiada. Fui diagnosticado com o Mal de Parkinson em Janeiro de 2003. Desde então tenho lido vários livros que relate o curso detalhadamente desta doença e das limitações que virão acontecer seguramente na minha vida, a não ser que Deus interrupta o normal. Estou somente no começo da doença mas vejo essas limitações vindo de pouco em pouco já. Depressão faz parte deste Mal de Parkinson. Tenho já enfrentado esse mal de depressão. Tenho isso a comentar:

A depressão não vem por Deus ser menos de fiel, nem pelas promessas de Deus serem provadas fracas. Afinal, Deus não se frustra em nenhum ponto (Salmos 115:3, “Mas o nosso Deus está nos céus; fez tudo o que lhe agradou.”; 135:6, “Tudo o que o SENHOR quis, fez, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos.”) A depressão também não vem de uma maldição hereditária ou seja, por meios secundários. A depressão vem por causa de nós mesmos não conseguirmos as nossas expectativas. Como diz o versículo citado, “A esperança adiada desfalece o coração”.

Exemplos bíblicos da esperança adiada desfalecendo os corações são vários. Adão e Eva desfaleceram nos seus corações por esperarem que as ações de desobediência tivessem êxito beneficente (Gen 3:8), como Jonas também (Jonas, o livro) e o rei Davi (II Sam 12:9-12; Sal 51:8, “Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que gozem os ossos que tu quebraste.”). O profeta Elias desfaleceu no seu coração por pensar que os seus pensamentos eram as mesmas de Deus (I Reis 19). Sansão chegou ao fundo do desanimo por insistir em seu próprio entendimento (Juízes 14-16) e Ló foi vexado na sua alma justa por ter feito associações próximas que não eram nada piedosas (II Ped 2:8). Nesses casos veio a depressão não por Deus ser infiel ou injusto mas pelos homens terem expectativas errados.

Tenho notado que a depressão vem a piorar quando olhamos internamente, para o próprio coração do homem, como se fosse ele a fonte da inteira solução dos problemas. Enquanto olhamos no interior do homem, vejamos o que está ai, ou seja: depravação, egoísmo, lógica faltosa, visão finita (Jeremias 17:9; Mateus 15:19). Nada do que vem do homem opera para contribuir para uma solução adequada (Gálatas 6:8). Olhar por dentro de nós contrariamente opera para nos desanimar e piorar a situação. O que vem do homem piora a situação presente e frustra a expectativa do amanhã.

A cura da depressão é como a solução do filho pródigo: voltar onde começou a errar e corrigir o necessário. Ou seja:

1. Confessar e se arrepender do pecado causador do desanimo – Salmos 51:1-12, “Purifica-me com hissope, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve. Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que gozem os ossos que tu quebraste. Esconde a tua face dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniqüidades. Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo. Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário.”; Provérbios 2813, “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.”

2. Conhecer melhor o Seu Deus – Jeremias 9:23,24, “Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas, Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o SENHOR, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR.”; Daniel 11:32, “… mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e fará proezas.”

3. Temer ao Senhor – Provérbios 1:7, “O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução.”; Jó 28:20-28, “Donde, pois, vem a sabedoria, e onde está o lugar da inteligência? Pois está encoberta aos olhos de todo o vivente, e oculta às aves do céu. A perdição e a morte dizem: Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama. Deus entende o seu caminho, e ele sabe o seu lugar. Porque ele vê as extremidades da terra; e vê tudo o que há debaixo dos céus. Quando deu peso ao vento, e tomou a medida das águas; Quando prescreveu leis para a chuva e caminho para o relâmpago dos trovões; Então a viu e relatou; estabeleceu-a, e também a esquadrinhou. E disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência.” Quando tememos ao Senhor endireitamos as nossas ações e assim corrigimos o problema de confiar no braço do homem.

4. Esperar no Senhor – Sal 27:13, 14, “Pereceria sem dúvida, se não cresse que veria a bondade do SENHOR na terra dos viventes. Espera no SENHOR, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no SENHOR.” Assim corrigimos o problema de olhar no interior do homem para olhar ao Senhor. Não é uma resignação fatalista que é pedido na ação de esperar no Senhor mas uma verdadeira submissão ao justo Deus soberano que é necessário (Jó 1:21, “E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR.”; 13:15, ” Ainda que ele me mate, nele esperarei; contudo os meus caminhos defenderei diante dele.”: II Cor 12:9-12 e o exemplo supremo de Cristo, João 12.27, ” Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora.”)

5. Ser ativo na obediência e oração, ou seja, alinhar as nossas expectativas com as de Deus. Ele é fiel e nunca nos abandonará. Afinal foi essa verdade que veio para confortar os corações dos amados Hebreus, “Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei. E assim com confiança ousemos dizer: O Senhor é o meu ajudador, e não temerei O que me possa fazer o homem.” (Heb 13:5,6).

6. Buscar primeiro o reino de Deus e a Sua justiça – Mateus 6:33, “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” No contexto de crescente aflição e terrível perseguição religiosa, que causa também o desanimo, o apostolo Pedro conclua a sua segunda epístola com o conselho de crescer na graça e no conhecimento do Senhor (II Pedro 3:18) assim dirigindo os amados à Rocha (Salmos 61:2, “Desde o fim da terra clamarei a ti, quando o meu coração estiver desmaiado; leva-me para a rocha que é mais alta do que eu.”)

Jeremias 17:5-7 “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR! Porque será como a tamargueira no deserto, e não verá quando vem o bem; antes morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável. Bendito o homem que confia no SENHOR, e cuja confiança é o SENHOR.”

Autor: Pr Calvin Gardner
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br 

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ANGELOLOGIA

A DOUTRINA DOS ANJOS

            Há, no mundo,  muitas crenças sobre os anjos.  Há antigas lendas que influenciam a crença de muitos ao redor do mundo.  A existência dos anjos é verdadeira mas não da forma como todos dizem.  Queremos ver o que diz a Bíblia sobre a sua existência e obra.  Se não existissem os anjos, muitos versículos da Bíblia ficariam sem explicação.

Seres Criados

            Os anjos não são eternos como Deus mas foram criados por Deus (Sal 148:2,5; Col 1:16).  Mesmo que a Bíblia mostrando que os anjos foram criados por Deus, a Bíblia não é tão clara sobre quando foram criados.  Alguns usam Jó 38:7 para dizer que os anjos foram criados assim que a terra foi feita outros determinam Gênesis 1:1, na sua referência aos !céus? para incluir os anjos.  Podem dizer o quiserem pois tudo não passa de opiniões.  Somente é seguro dizer que até o fim da criação (Gên. 2:1) os anjos foram criados (Êx. 20:11; Ne. 9:6).

Seres Espirituais e Incorpóreos

            Os anjos não têm carne (Luc 24:39), não se casam (Mat. 22:30, portanto, não há sexo), são seres espirituais, sem matéria (I Sam 16:14; Mat. 8:16; 12:45; Luc 7:21; 8:2,32,33; 11:26; Atos 19:12; Efés 6:12; Heb 1:14).  A sua qualidade de espírito e incorpóreo se vê por poderem estar presentes em pouco espaço (Mat. 12:45; Luc 8:2,30) e serem invisíveis (Col 1:16).  Mesmo os anjos podendo aparecer em forma de homem (Atos 1:10) são espíritos (Heb 1:14) e tomam a forma de homem para nos ajudar.  O homem está em um grau inferior aos anjos (Heb 2:7)

            Alguns símbolos são usados, dentro da Bíblia, para apresentar os anjos tais como: !vento? (Salmos 104:4) ou !fogo abrasador? Heb 1:7) mas, também são citados como sendo espíritos (Mat. 22:30) e presentes na igreja, com atuações específicas (I Cor 11:10).

            Pelo fato de terem sidos criados, os anjos são finitos, têm em começo, são limitados e não têm apetites e desejos carnais.  Mesmo sendo espíritos e incorpóreos, não são onipresentes. Essa é uma qualidade reservada somente para Deus.

Seres Racionais, Morais e Imortais

Racionais

            Os anjos têm uma inteligência nata e não adquirida (Boyce).  A inteligência dos anjos é superior a dos homens (II Sam 14:20).  Através da igreja Deus ensina a !multiforme sabedoria de Deus? que é conhecida pelos !principados e potestades nos céus?, uma clara referência aos anjos (Efés 3:10).  Mesmo os anjos conhecendo tanto, não são oniscientes (Mat. 24:36; I Ped 1:12).

            Que anjos possuem vontade é claramente anunciado (I Pedro 1:12) pois anelam investigar aquilo que não são capazes de entender.  A obra da salvação é melhor entendida pelo pecador salvo.  A glória da salvação não é conhecida pelos descrentes (I Cor 1:23; 2:14) e nem pelos anjos sejam eles bons ou maus.

II Ped 2:11 mostra que os anjos decidem por não fazer uma ação e essa decisão revela que eles são seres racionais.

Morais

            A natureza moral dos anjos pode ser vista através do princípio em eles são abençoados se obedecem ou castigados se desobedecem.  Tal tratamento indica tanto a capacidade quanto a responsabilidade.  Os anjos que obedecem são chamados anjos santos (Mat. 25:31; Mar 8:38; Luc 8:26; Atos 10:22; Apoc 14:10), anjos eleitos (I Tim 5:21) ou anjos de luz (II Cor 11:14).  Os anjos obedientes vêem a face do Senhor (Mat. 18:10) e são exemplos para nós (Mat. 6:10, a vontade de Deus está sendo feito no céu pelos anjos inclusive; Judas 9).  Os anjos que desobedecem são castigados (João 8:44; II Ped 2:4; Judas 6) e são eles aqueles seguem ao Diabo como líder (Mat. 25:41).

A Bíblia não revela se há salvação para os anjos.

Imortais

            A qualidade de ser imortal pode ser vista através da afirmação de Jesus (Luc 20:35,36).  Os anjos bons e os maus têm existência contínua.  Os bons permanecem sob o favor de Deus e os maus recebem o castigo pela eternidade.

            O fato de os anjos terem grande poder (Sal 103:20; Col 1:16; Efés 1:21; 3:10; Heb 1:14) também revela as suas qualidades de inteligência, vontade e moral.  O poder que eles possuem deve ser exercitado na medida do querer de Deus.  Esse controle indica inteligência, vontade e moral.

Condição Original

            De tudo que a Bíblia mostra sobre o assunto somente podemos concluir que a condição original dos anjos é boa (Gên. 1:31, !E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom?).  Judas ensina que os anjos maus !não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação? (Judas 1:6) dando-nos a entender que no princípio, estavam na própria habitação, junto dos bons em obediência.  Aqueles que caíram, pecaram (II Ped 2:4).

            Por Deus ser o Criador, e absolutamente santo (Gên. 18:25; Hab. 1:13), a Sua criação também não teria pecado (Bancroft, p. 286).

Número dos Anjos

            A Bíblia nunca dá um número exato de anjos, mas isso não quer dizer que há um pequeno número.  Varias vezes a Bíblia dá-nos razão dizer que o número é enorme.

  • Deut 33:2 – dez milhares de santos
  • Sal 68:17 – vinte milhares, milhares de milhares
  • Mar 5:9,15 – muitos
  • Mat. 26:53 – doze legiões (cada legião é composta entre 3.000 – 6.000, Berkhof)
  • Heb 12:22 – muitos milhares
  • Apoc 5:11 – milhões de milhões, e milhares de milhares (Dan 7:10)

            Apoc 12:4 relata que a terça parte das !estrelas do céu? foi lançada para a terra.  Há os que dizem que isso refere-se aos anjos que caíram, o império Romano ou até os pastores que não ficaram fieis no ministério (Gill). Se esse fosse o número de anjos maus que caíram, para cada anjo mau, há dois anjos bons.  Isso é confortante mesmo que não queremos duvidar da suficiência da onipotência de Deus.

            Qualquer que seja o número de anjos, eles não são criados instantemente.  O número atual de anjos não aumenta (Berkhof).

A Ordem dos Anjos Bons

            Existe uma organização entre os anjos.  Satanás é chamado o pai (João 8:44) e Miguel é chamado por arcanjo (Judas 1:9) que mostra claramente a existência de ordem entre eles.  Os anjos bons são chamados !filhos de Deus? por terem uma origem divina.  Os anjos maus têm o nome de: anjos do diabo (Mat. 25:41; Apoc 12:7) mostrando a existência de uma ordem entre eles.

Nomes Diferentes

            São usados vários nomes que nos levam a distinguir ordens angélicas.  As obras, o relacionamento com Deus ou os atributos dos anjos podem ser vistos pelos nomes atribuídos a eles: !Filhos de Deus? (Jó 1:6; 2:1; Sal 29:1; 86:6), deuses ou anjos de Deus (Sal 97:7; 138:1; Heb 1:6), seus exércitos (Sal 103:21), servos (Jó 4:18),espíritos (Heb 1:14), santos (Jó 15:15; Sal 89:5,7; Zac 14:5; Dan 8:13), vigias (Dan 4:13, 17) e vários outros nomes em Col 1:16; Efés 1:21 dos quais podemos citar o Sr. E. C. Dargan:

?tronos …. sendo o mais elevado, próximo a Deus e assim chamados, tanto por estarem perto de Deus e sustentarem o trono de Deus como por sentarem eles mesmos sobre tronos aproximando-se mais perto de Deus em glória e dignidade; depois ?domínios?, ousenhorios, aqueles que exercem poder ou senhorio sobre os inferiores ou homens; depois !principalidades?, ou !principados?, os de dignidade principesca; finalmente, !potestades?, ou autoridades, aqueles que exercem poder ou autoridade sobre a ordem angélica mais baixa, logo acima do homem.” (citado por T. P. Simmons, p. 135,136).

            Os anjos citados em Col 1;16 e Efés 1:21 não são os tipos mas de graus ou dignidades diferentes (Berkhof).

Querubins e Serafins

            Os querubins mencionados em Gên. 3:24, estão guardando a entrada ao Paraíso, Êx. 25:18, estão olhando ao propiciatório (Sal 80:1; 99:1; Isa 37:16; Heb 9:5).  Eles constituem o carro pelo qual Deus desce ao mundo (II Reis 2:11; Sal 18:10) e são representados pelos seres vivos para mostrar poder e majestade (Ezequiel 1 e Apoc 4, entre outros).  Mais do que outras criaturas os querubins revelam o poder, a majestade e a gloria de Deus, guardando a sua santidade no jardim, tabernáculo, templo e na sua descida à terra (Berkhof).

            Os serafins só estão citados em Isa 6:2,6 como servos ao redor do trono de Deus.  Cantam louvores e estão de prontidão para fazer o que o SENHOR mandar.  Talvez a sua obra seja preparar aqueles que querem aproximar-se apropriadamente de Deus (Berkhof).

            Sobre os querubins e serafins E. C. Dargan ensina  que não são !como seres atuais senão como aparências simbólicas ilustrando verdades da atividade e do governo divino.” (Simmons, p. 136).

Miguel e Gabriel

            O anjo Miguel e o anjo Gabriel são os únicos anjos mencionados pelo nome.

            Miguel é mencionado em Dan 10:9-13; 10:21; 12:1; Judas 1:9; e Apoc 12:7-9.  A sua posição é tida como sendo !arcanjo? (Judas 1:9) e !um dos primeiros príncipes? (Dan 10:13).  Parece ser um guerreiro valente que batalha por Jeová.

            Gabriel é usado em Daniel 8:16; 9:21 e Luc 1:19,26.  Gabriel disse: !assisto diante de Deus? (Luc 1:19).  Há sete anjos que !estavam diante de Deus? e há a especulação de que Gabriel seja um destes.  O seu trabalho é mediar e interpretar revelações divinas (Dan 8:16). Foi Gabriel que profetizou o nascimento de João Batista (Luc 1:5-19) e de Cristo (Luc 1:26-37).

Anjos de Guarda

            Apesar de a tradição e os historiadores gostarem da idéia de um anjo, ou dois (um bom e o outro mau), designados a cada homem, ou pelo menos aos eleitos, a Bíblia não dá credito pleno e claro a essa idéia.  Deus é quem cuida dos Seus pela Sua presença e poder.  Um anjo seria muito inferior à essa presença divina.  A doutrina que supõem um anjo de guarda alimenta uma pratica de adoração aos anjos.  Note que havia mais de um anjo nestes casos: Gên. 28:12; II Reis 6:16,17; Mat. 4:11; Luc 16:22.

O Serviço dos Anjos Bons

Serviço Usual

            O serviço usual deve ser entendido como a ocupação geral dos anjos bons.  Eles têm o privilégio de louvar a Deus dia e noite (Sal 103:20; 148:2; Isa 6:1-6; Apoc 5:11).  Heb 1:14 revela que a sua obra inclui o ministério aos herdeiros da salvação; alegria na conversão dos herdeiros (Luc 15:10), estão atualmente protegendo os herdeiros (Sal 34:7; 91:11) e, especialmente, os pequeninos (Mat. 18:10).  Os anjos estão presentes na igreja (I Cor 11:10; I Tim 5:21) até mesmo conhecendo através dos cultos, sobre a multiforme sabedoria de Deus (Efés 3:10; I Ped 1:12).  Esses anjos transportam os salvos para o !seio de Abraão? (Luc 16:22).

Serviço Temporário

            Os anjos trabalham durante tempos de transição especiais (patriarcas, a entrega da Lei, a era da conquista da terra prometida, durante o exílio e a restauração do povo de Deus à sua terra e o nascimento, ressurreição e ascensão do Senhor Jesus Cristo) e em resposta à queda dos homens no pecado.   Quando terminou o período da revelação divina especial cessou o serviço temporário de intermediários dessas revelações, comunicar as bênçãos ao povo de Deus e executar o Seu juízo sobre os Seus inimigos.  Esse serviço só se reiniciará na volta corpórea de Cristo (Berkhof, p. 148).  Os versículos que mostram esse serviço sendo feito são: II Sam 24:16,17; II Reis 19:35; I Cron. 21:15,16; II Cron. 32:21; Atos 12:23.

A Ordem dos Anjos Maus e Suas Obras

Anjos Maus

            Os anjos maus começaram como anjos bons e deixaram a sua habitação (Judas 1:6; II Ped 2:4).  Eles se opõem a Deus e colocam barreiras diante da Sua obra obedecendo a vontade de Satanás (Dan 10:10-14; Zac 3:1; Luc 22:31).  Eles afligem o povo de Deus (Mat. 17:15-18; Luc 13:16; II Cor 12:7), atuam como empecilhos diante do povo de Deus (Efés 6:11,12; I Tess 2:18) e procuram enganar os eleitos (II Cor 11:13,14; Mat. 24:24).

Espíritos ou Demônios

            Os espíritos maus ou os demônios (considerados por muitos termos sinônimos e um tipo de anjo mau, Mat. 9:34; 12:24; 25:41 – Bancroft; Cloud) são distintamente diferentes pois têm trabalhos separados dos anjos maus (Atos 23:8,9, !nem anjo nem espírito … uma e outra coisa?).  Fazem um trabalho mais pessoal, sujo e violento do que os anjos maus em geral.  Têm a prática de habitar nos corpos (Mat. 4:24; 8:16, 28-34; 12:43; Atos 8:6,7; 16:16) e nos ídolos dos descrentes (Lev 17:7; Deut 32:17; I Cor 10:20).  Adivinhação e astrologia têm como objetos de adoração aos demônios (Deut 18:10-12; II Crôn 33:6; Atos 16:16-18; 19:13-19).  Em comparação aos anjos maus, os demônios são mais impuros (Mat. 12:43-45; Mar 5:8; Luc 4:33-36) e violentos (Mat. 8:28; Mar 9:18,22; Luc 9:39; Apoc 16:14).  Note que há um grau de impureza entre eles (Mat. 12:43-45).  Há muitas doenças afligidas pelos espíritos maus (físicas: mudez – Mat. 9:32,33; cegueira – Mat. 12:22; doença esquelética – Luc 13:11-13 e mentais: nudez, loucura  – Luc 8:26-35; Marcos 9:18, 22).

            Os espíritos ou demônios não têm outro fim, revelado pelas Escrituras, a não ser igual aos anjos maus que estão entregues !às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo? (II Ped 2:4; Judas 1:6).  As !cadeias? não os limitam a um lugar mas sim à uma condição (escuridão e condenação) (Berkhof, p.149).  O lugar será o lago de fogo (Mat. 25:41; Apoc 20:10).

            Pela adivinhação e astrologia é praticada a abominação diante do Senhor.  Deus quer receber toda a glória.  Os que praticam essas abominações não estão buscando ao Senhor e sim aos demônios (Deut 18:10-12; Atos 16:16-18, !espírito de adivinhação?; 19:13-19; II Cron. 33:6)

Satanás

            Satanás é o líder de todos os anjos maus sendo chamado o seu pai (João 8:44), o seu príncipe (Mat. 9:34; Efés 2:2) .  Sua principal obra é opor-se a Deus (Isa 14:13,14; Atos 13:10).  Ele ataca ao homem por que o homem é o principal objeto das suas obras (Gên. 1:26).  As Escrituras o apontam como aquele que originou o pecado (Gên. 3:1-3; Ezequiel 28:15; João 8:44; II Cor 11:3; I João 3:8; Apoc 12:9; 20:10) e o deus de toda a impureza (João 12:31; II Cor 4:4) mostrando não a sua soberania mas o controle sobre tudo o que Deus entregou na sua mão. Satanás é de grande poder mas não onipotente, tem influência mas não é soberano (Mat. 10:28; 12:29; Apoc 20:2).  O destino de Satanás é o lago de fogo (Mat. 25:41; Apoc 20:10) (Berkhof).

A Nossa Atitude diante dos Anjos Bons e Maus

            Deus é o único digno de honra e glória e deve ficar claro que nenhum anjo bom ou mau deve ser servido, adorado ou temido como Deus (Rom. 11:36; Apoc 4:11; 22:8,9).  Mesmo o crente, filho de Deus, por estar em Jesus Cristo, tendo uma posição acima dos espíritos maus (Efés 6:16; Heb 2:14; I João 4:4) não é recomendado entrar em contenda com qualquer ser bom ou mal (II Tim 2:24; Judas 1:9), mas os resistir aproximando-se de Deus (Tiago 4:7) sendo firme na fé (I Ped 5:9).  A vitória se dá pela força de Cristo (Fil. 4:13) e não da carne (Efés 6:10-18).  Há necessidade de sermos submissos ao Senhor para termos a vitoria e é razão suficiente para que não sermos auto confiantes em nossos relacionamentos com as forças do mal.  Uma vida morta às concupisciências da carne e ativa em obediência à Palavra de Deus, é a melhor defesa para não cair nos laços do diabo (Efés 6:12-18; I Tim 1:18,19).

            Satanás é ativo e os seus anjos estão sempre prontos para lhe obedecer, daí o crente ser instruído a ser vigilante e obediente à Palavra de Deus (I Ped 5:8; II Cor 2:10, 11) nunca dando a mínima oportunidade a Satanás (Efés 4:27).  Enche o seu ser com as meditações de Cristo, a Palavra de Deus, e não precisará se preocupar com as concupisciências da carne (Gal 5:16).  Assim será sempre pronto a ter a vitória nas lutas que venham (Tiago 4:7,8)

Bibliografia

BANCROFT, Emery H., DD. Christian Theology, Systematic and Biblical, Zondervan Publishing House, Grand Rapids, 1971.

BERKHOF, L, Systematic Theology, Wm E. Eerdmans Publishing Co., Grand Rapids, 1972.

Bíblia Sagrada, Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, São Paulo, 1/94.

BOYCE, James Pettigru, DD, LL.D. Abstract of Systematic Theology, Christian Gospel Foundation, sd

CLOUD, D. W. Way of Life Encyclopedia of the Bible and Christianity, Ver. 2.0, Topic: Devils; Way of Life Literature, Washington, sd.

GILL, John. Commentary on the Whole Bible, Online Bible, Ver. 7.0, Canada, 1997,

GOETZ, David.  The Doctrine of Angels, Kirksville, sd.

SIMMONS, Thomas Paul, D.Th.  Um Estudo Sistemático de Doutrina Bíblica, Challenge Press, Little Rock, 1985.

Autor: Pr Calvin Gardner
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br 

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ORIGEM DA IGREJA CATÓLICA

A origem do catolicismo foi em razão do desvio doutrinário das igrejas primitivas.  Após a morte de Cristo, fundador da Igreja, seus discípulos ficaram vulneráveis aos ataques dos adversários. Estevão foi morto apedrejado pela multidão enfurecida, Atos 7:57-60.  Mais tarde o apóstolo Tiago foi morto à espada pelo rei Herodes, Atos 12:1-2. Por incrível que pareça, as perseguições dos inimigos colaboraram para surgimento de outras igrejas.  O livro de Atos diz “Mas os que andavam dispersos iam por toda a parte, anunciando a palavra” (Atos 8:4).

Devido a perseguição os discípulos fugiram de Jerusalém e por onde passavam o Evangelho era anunciado.  Filipe, que era um dos fugitivos, pregou na cidade de Samaria e também ao eunuco, homem importante da Rainha da Etiópia.  É bem possível que o eunuco tenha levado o Evangelho ao país da Etiópia.

Porém, as perseguições não se restringiram somente aos ataques físicos.   Satanás é um inimigo muito inteligente e sutil.  Deus criou Lúcifer e não o Diabo.  Lúcifer (portador da Luz) se transformou no Diabo porque queria ser semelhante ao Criador, Ezequiel 28:15-17.  Quando Satanás percebeu que matar os cristãos não estava surtindo efeito, então resolveu mudar de tática.  O Diabo resolveu solapar a fé dos crentes introduzindo idéias estranhas ao Evangelho de Cristo.   Ainda nos dias dos apóstolos alguns crentes começaram a acreditar que a fé em Cristo não era suficiente para a salvação da alma.   As obras foram acrescentadas à fé para alcançar a graça de Deus.  No Livro de Atos podemos confirmar este fato: “ENTÃO alguns que tinham descido da Judéia ensinavam assim os irmãos: Se não vos circuncidardes conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos” (Atos 15:1).   Alguns falsos pregadores entraram sorrateiramente nas igrejas da Galácia e ensinaram que era necessário guardar os preceitos da lei, transtornando assim o verdadeiro Evangelho de Cristo, Gálatas 1:7. Paulo admoestou aos irmãos gálatas que qualquer outro evangelho diferente que ele tinha anunciado deveria ser considerado anátema (maldito), Gálatas 1:8. Paulo não cedeu nenhum momento aos falsos ensinadores, e procurou reconduzir os irmãos gálatas à fé verdadeira, Gálatas 2:5; 3:10-11.

Depois que os apóstolos morreram as igrejas continuaram sendo atacadas doutrinariamente. João, o último dos apóstolos a morrer, foi escolhido por Cristo para escrever às sete igrejas da Ásia. Capítulos dois e três de Apocalipse mostram claramente os problemas que cada uma das sete igrejas tinham.  As igrejas foram contagiadas pelo vírus maligno do inimigo.

Um outro erro que penetrou nas igrejas foi a de alguns homens que se diziam cristãos, assenhorearem da herança de Deus.  O apóstolo Pedro já havia advertido a respeito disso: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho” (I Pedro 5:1-2).  Diótrefes, ainda no tempo do apóstolo João, queria dominar a qualquer custo uma igreja local.   “Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe” (III João 9).

Depois dos erros citados acima seguiu-se outro que tem sido uma das marcas da Igreja Católica Romana e de outras que dela saíram.  “A Regeneração Batismal”.  A idéia de que o batismo poderia ajudar na salvação da alma começou ainda no final no 2º século.  Neste século muitas igrejas já haviam desviadas dos ensinamentos de Cristo e dos apóstolos.  Muitas igrejas questionavam que se a Bíblia fala tanto do batismo, então ele tem um valor que pode ajudar na remissão da alma.

No início do ano 313 A.D., o cristianismo tinha alcançado uma poderosa vitória sobre o paganismo.  Um novo imperador veio ocupar o trono do Império Romano.  Ele evidentemente reconheceu algo do misterioso poder dessa religião que continuava a crescer, não obstante a intensidade da perseguição.  A História diz que este Imperador que não era outro senão Constantino, teve uma maravilhosa e real visão.   Divisou no céu uma CRUZ de brilhante luz vermelha na qual estavam escritas a fogo as seguintes palavras: “Com este sinal vencerás”. Constantino interpretou isto como uma ordem para que se tornasse cristão. Entendeu ainda que abandonando o paganismo e uniu do o poder temporal do Império Romano ao poder espiritual do Cristianismo o mundo seria facilmente conquistado.  Deste modo, a religião cristã se tornaria uma religião universal e o Império Romano o Império de todo o mundo.  Assim sob a liderança do Constantino veio um descanso, um galanteio e uma proposta de casamento.   O Império Romano por intermédio de seu imperador pediu em casamento o cristianismo.  Para tornar efetiva e consumada esta profunda união, um concílio foi convocado. Em 313 A. D. foi feita uma convocação para que fossem enviados, juntamente, representantes de todas as igrejas cristãs.  Muitas, mas nem todas, vieram. A aliança estava consumada. Uma hierarquia foi formada. Na organização desta hierarquia Cristo foi destronado como cabeça da igreja e Constantino foi entronizado (ainda que temporariamente, já se vê) como cabeça da igreja.

A hierarquia estava definitivamente começando a desenvolver-se no que conhecemos hoje comoIgreja Católica ou Universal. Pode-se dizer que isso tinha começado, se bem que, indefinidamente, já no fim do 2o século ou no início do 3o quando as novas idéias com referência aos bispos e ao governo da Igreja começaram a se formar.   Deve ser também claramente lembrado que, quando Constantino fez a convocação para o citado Concílio houve muitos cristãos (batistas) que deixaram de responder à mesma. Eles não aprovavam o casamento da religião com o estado, nem a centralizarão do governo religioso, nem a criação de um tribunal religioso mais elevado, de qualquer espécie que não fosse a Igreja local. Estes cristãos (batistas) bem como suas igrejas deste tempo ou mais tarde não aceitaram a hierarquia denominacional católica.

Quando esta hierarquia foi criada, Constantino, que tinha sido feito o seu cabeça, não era ainda cristão. Ele tinha decidido tornar-se, mas como as igrejas que o acompanharam na fundação desta organização hierárquica, tinham adotado o erro da regenerarão batismal, uma série questão se levantou na mente de Constantino: ”Se eu sou salvo dos meus pecados pelo batismo, como escapar os meus pecados posteriores ao batismo?” Constantino levantou assim. Uma questão que iria perturbar o mundo em todas as gerações seguintes. Pode o batismo lavar de antemão os pecados não cometidos? (ou sãs) os pecados cometidos antes do batismo lavados por um processo (isto é, pelo batismo) e os cometidos depois do batismo, por um outro processo?

Não tendo sido possível resolver satisfatoriamente a muitas questões assim levantadas, Constantino resolveu finalmente unir-se aos cristãos, mas adiando o seu batismo para mais perto de sua morte, porque assim todos os seus pecados poderiam ser lavados de uma só vez. Este propósito ele seguiu e não havia sido ainda batizado até pouco antes de sua morte. <>Abandonando a religião pagã e aderindo ao Cristianismo, Constantino incorreu em séria reprovação por parte do Senado Romano. Eles repudiaram ou, ao menos, opuseram-se à sua resolução. Esta oposição resultou finalmente na mudança da sede do Império de Roma para Bizânico, uma velha cidade reedificada, que logo depois teve o nome mudado para Constantinopla, em honra a Constantino. Como resultado surgiram duas capitais para o Império Romano: Roma e Constantinopla. Essas duas cidades, rivais por vários séculos, por fim se tomaram o centro da Igreja Católica dividida: Romana e Grega.

Constantino fez cessar a perseguição aos cristãos em todo o império e gradualmente foi cumulando-os de favores. O imperador logo percebeu a clara divisão entre os cristãos. Percebera a importância de ser apoiado pela hierarquia de uma religião poderosa. Mas precisava que essa hierarquia fosse unânime em sua fidelidade ao Estado. Assim, embora pagão, presidiu concílios da Igreja e obrigou-a a unificar-se. Devido a essa atitude foi prontamente contrariado pelos anabatistas. Indignado, e aliando-se aos cristãos errados, baniu e perseguiu os fiéis que não concordaram com sua unificação das igrejas. Começaram as terríveis perseguições das seitas cristãs oficiais – protegidas pelo imperador – contra as não oficiais, os anabatistas, que se mantiveram independentes do governo. Pela primeira vez na história, a partir do ano 313, encontramos a página mais triste da história das igrejas. Encontramos cristãos errados perseguindo os cristãos fiéis. Esta perseguição, além de visar o extermínio dos anabatistas, também foi a mais longa. Durou mais de mil e trezentos anos, vindo a terminar após a Reforma no século XVII.

Depois que Constantino se tornou o cabeça das igrejas desviadas da verdade, as mudanças doutrinárias nestas igrejas, foram se avolumando a cada ano que passava.  A idéia de que o batismo poderia ajudar na regeneração da alma tinha larga aceitação por parte dos desviados que aceitaram o casamento com o poder temporal.  A igreja que aceitou Constantino como seu cabeça, acreditando que o batismo era um agente ou meio de salvação, achava que quanto mais cedo fosse administrado o batismo, mais garantia poderia ter da salvação.  Foi então que surgiu o “batismo infantil”.  Por que esperar a idade adulta ou mesmo a velhice para ser batizado? “Ninguém sabe o que pode acontecer amanhã”, pensavam os simpatizantes da “nova igreja”. Antes disto “crentes” e “crentes” somente, eram considerados em condições de submeterem-se ao batismo.  ”Aspersão” e “derramamento” eram formas até então desconhecidas. Vieram muito mais tarde.  Por vários séculos os infantes eram, como os demais, imersos.  A Igreja Ortodoxa Grega (que é um grande ramo da Igreja Católica) até hoje não mudou a forma original de batismo.  Ela pratica o batismo infantil, mas nunca procedeu de outro modo que não o da imersão das crianças. (Nota. alguns historiadores da igreja põem o inicio do batismo infantil neste século, mas eu citarei um pequeno parágrafo das “Robinson’s Ecclesiastical Researches” (Pesquisas Eclesiásticas de Robinson):

“Durante os primeiros três séculos as congregações espalhadas no oriente funcionaram em corpos independentes e separados, sem subvenção por parte do governo, e, conseqüentemente, sem qualquer poder secular da Igreja sobre o Estado ou vice-versa. Em todo esse tempo as igrejas batizavam e, segundo o testemunho os Pais dos primeiros 4 séculos, até Jerônimo (370, A. D.), na Grécia, Síria e África, é mencionado um grande número de batismos de adultos, sem a apresentação de ao menos um batismo de criança, até o ano 370 A. D.” (Compêndio de História Batista por Shackelford, p. 43; Vedder p. 50; Chrishan p. 31; Orchard p. 50, etc.).

A hierarquia organizada sob a liderança de Constantino, rapidamente se concretizou naquilo que agora conhecemos como Igreja Católica. E a novel igreja se associou ao governo temporal, não mais para ser simplesmente a entidade executiva das leis completas do Novo Testamento, mas começou a ser legislativa, começando a emendar e anular leis primitivas, bem como a criar regras completamente estranhas à letra e ao espírito do Novo Testamento.

Uma das primeira ações legislativas da Igreja, e uma das mais subversivas quanto aos resultados foi o estabelecimento, por lei, do batismo infantil. Em virtude desta lei o batismo infantil tornou-se compulsório. Isto ocorreu em cerca de 416 A. D. Ele já existia, em casos esparsos, provavelmente, um século antes desde decreto. Mas, com a efetivação por lei desta prática dois princípios do Novo Testamento foram naturalmente abordados: – o do “batismo dos crentes” e o da “obediência voluntária ao batismo”.

Como conseqüência inevitável desta nova doutrina e lei, ,as igrejas desviadas foram rapidamente se enchendo de membros inconversos. E de fato não se passaram muitos anos até que a maioria, provavelmente, de seus membros fosse composta de pessoas não regeneradas. Assim os grandes interesses espirituais do Reino de Deus caíram nas mãos de um incrédulo poder temporal. Que se poderia esperar então?

Em 426 A.D., justamente 10 anos depois do estabelecimento legal do batismo infantil, foi iniciado o tremendo período que conhecemos como “Idade das Trevos” (Idade Média, not. Do trad.). Que período! Quão tremendo e sanguinolento o foi!  A partir de então, por mais uma dezena de séculos o rasto do cristianismo do Novo Testamento foi grandemente regado pelo sangue dos cristãos. Milhões de crentes perderam suas vidas, pagando o preço da fidelidade ao Senhor Jesus Cristo. Preferiram morrer do que negar o nome do Senhor que os resgatou pela cruz do Calvário.  Nossos antepassados sofreram as mais variadas e terríveis perseguições por parte dos que se uniram ao poder temporal.  Creio que nem Constantino tinha a idéia do resultado da união do seu império com os chamados cristãos.

Foi ainda no alvorecer da “Idade das Trevas” que o Papismo tomou corpo definitivo. Seu inicio data de Leão II de 440 a 461 A.D. Este título, semelhantemente ao nome dado à Igreja Católica, tinha possibilidade de um amplo desenvolvimento. O nome aparece aplicado primeiramente, para designar o bispo de Roma, 296-404 A.D. mas foi formalmente adotado pela primeira vez por Cirilo, bispo de Roma 384-398. Mais tarde foi adotado oficialmente por Leão II, 440-461. Sua universalidade foi reclamada em 707.

Alguns séculos mais tarde foi declarado por Gregório VII, ser o titulo exclusivo do Papado. Por falta de espaço, infelizmente, não poderemos descrever neste pequeno estudo todas as mudanças que houve no decorrer dos séculos no seio da Igreja Católica.  Mas vamos dar uma súmula dos mais significativos eventos ocorridos nos primeiros cinco séculos:

1) A mudança gradual do governo democrático da Igreja para o governo eclesiástico.

2) A mudança da salvação pela graça para a salvação pelo batismo.

3) A mudança do batismo de crentes para batismo infantil.

4) A hierarquia organizada. Casamento da Igreja com Estado.

5) A sede do Império mudada para Constantinopla.

6) O Batismo Infantil estabelecido por lei e tornado compulsório .

7) Os cristãos nominais começam a perseguir os cristãos.

8 ) A “Idade de Trevas” começa em 426 a.D.

9) A espada e a tocha, de referência ao Evangelho, que se tornou o poder de Deus para a salvação.

10) Todo o vestígio de liberdade religiosa é desfeito, coberto e enterrado por muitos séculos.

11) As igrejas fiéis ao Novo Testamento são perseguidas e tratadas por nomes diversos. São ainda açuladas para o mais longe possível do poder temporal católico. O remanescente destas igrejas se espalhou por todo o mundo e é achado, talvez escondido, em florestas, montanhas, vales, antros e cavernas da terra.

 

BIBLIOGRAFIA:

O BATISMO ESTRANHO E OS BATISTAS, por W.MNEVINS.

RASTO DE SANGUE, por J.M.CARROLL.

A ORIGEM, por GILBERTO STEFANO

A HISTÓRIA DOS BATISTAS, por JERRY DONALD ROSS.

Trabalho elaborado:
Antônio Carlos Dias
Bauru, São Paulo

Rua 12 de Outubro, nº 4-3
Jardim Bela Vista
17060-300 Bauru, São Paulo
Telefone: (014) 232-5025
E-mail: antodias@uol.com.br
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br

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Reverência no Culto

Habacuque 2:20 – O Senhor está no seu Santo Templo; cale-se diante dele toda terra.

Não podemos esquecer que o conceito de templo do Velho Testamento é diferente do nosso, mas também não devemos olvidar que o Imutável Deus é o mesmo ontem, hoje e eternamente pois nele não pode haver variação ou sombra de mudança.

Com essas colocações, o que o texto de Habacuque nos ensina?

1. Se no VT o povo se reunia no templo para cultuar a Deus e era requerido um silêncio reverente por causa da presença solene de Deus, no NT essa mesma reverência é requerida quando a Igreja está reunida para cultuá-lo.

Quando há distração no culto e a Igreja perde a concentração nele e coloca em outra direção, esquece-se que estamos diante da presença todo-poderosa do Deus Santo e Tremendo (Reverendo).

2. Distração no culto nos torna culpados por quebra da Lei de Deus. Notadamente o mandamento que se quebra quando os nossos pensamentos divagam na hora do culto é o 3º, pois quando estamos cultuando, dialogamos com Deus. Ele nos fala pela pregação (especialmente), leitura e sacramentos; e nós respondemos nos cânticos e oração.

Quando distraímos, o nome de Deus está sendo falado, orado, cantado, lido e pregado em vão e não podemos esquecer a dura advertência: O Senhor não terá por inocente aquele que toma o seu Santo Nome em vão.

3. Mas esse ato não quebra apenas o 3º Mandamento, senão vejamos:

a. Quando dispersamos no culto, qual o motivo de nossa dispersão? O que quer que seja se colocou no lugar de Deus naquele momento, pois foi digno de que a nossa atenção se desvie de Deus para o que for. Então quebramos o 1º Mandamento que diz: Não terás outros deuses diante de mim.

b. Quebramos o 2º Mandamento, pois podemos ver na mente (ou de fato – quando algo acontece ali) a razão pela qual os nossos pensamentos divagam, então ao ser pegos pensando em outra coisa na hora do culto que não em Deus, caímos no pecado da idolatria.

c. Sem dúvidas profanamos o Dia do Senhor. No 4º Mandamento somos lembrados de santificar esse Dia e nos livrar de nossos próprios pensamentos e afazeres para podermos torná-lo santo ao Senhor. Quando usamos alguns segundos do culto a Deus para dar atenção a outra coisa que não o próprio Deus, o Dia do Senhor não foi observado de forma correta.

· Os quatro primeiros mandamentos são mais claros, mas creio que quebramos mandamentos da Segunda tábua também. Como?

d. Há determinações bíblicas para que o culto seja reverentes – inclusive essa de Habacuque e os líderes da Igreja são responsáveis por essa reverência. Quando ela é quebrada, essa autoridade também o é e o 5º Mandamento é quebrado pois desobedecemos.

e. Especialmente na Pregação, as palavras que estão sendo pregada são Espírito e são Vida. As palavras pregadas são vitais para a sua alma e para o seu estado eterno. Se distrair e pensar em outros assuntos é atentar contra a própria vida; e agir para que outros se distraiam também é uma atitude igualmente assina e nos tornamos quebradores do 6º Mandamento.

f. Oséias e muitos outros textos nos mostram como o relacionamento de Deus com o seu povo é tido como conjugal. Ao nos tornar idólatras, conseqüentemente, traímos o nosso cônjuge, pois adulteramos (7º Mandamento) contra Deus com outros ídolos do coração: qualquer coisa que possa desviar a sua atenção no momento de amor entre Deus e seu povo que, nessa vida, acontece no culto.

g. O culto pertence a Deus e profaná-lo é tirar de Deus o que não é nosso. Esse é o conceito básico de furto, por isso, distrair-se no culto nos torna roubadores, quebrando assim o 8º Mandamento.

h. A Bíblia diz que Deus é verdadeiro e mentiroso todo homem; diz que a Palavra de Deus é a Palavra da verdade e se desviar, ainda que por segundos pequenos de dar ouvidos à verdade, abre margem para o Falso Testemunho. Está infringido então o 9º Mandamento quando divagamos no culto – quando a verdade está sendo exposta.

i. Finalmente, ao perder a prioridade de Deus no culto, elegemos prioridades pessoais divergentes de Deus. Quando fazemos isso é o nosso desejo que se coloca acima dos propósitos de Deus e o nome disso é cobiça, nos fazendo assim quebrar o 10º Mandamento.

Como vimos, todos os mandamentos são quebrados quando perdemos a reverência no culto, por ser ele coisa séria diante de Deus. Sem jamais perder a alegria da presença do Senhor, devemos nos policiar para ser alegremente reverentes.

Se o Deus Tremendo requer essa reverência para si quando cultuamos a Ele, qual deve ser a nossa resposta? Habacuque já nos ensinou: O Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.

Que o Senhor nos ensine a amar e respeitar o seu culto, a chegar cedo, tomar água e fazer tudo o que for necessário antes do culto, para que naquele momento sublime, possamos nos deleitar na presença de Deus, nosso Pai e Amigo, nosso Rei e Senhor!

A Ele a Glória,

Pr. Samuel Vitalino

Fonte: Prega a Palavra!

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